A emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na Bahia passou por uma das maiores mudanças dos últimos anos. Com a entrada em vigor das novas regras aprovadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e regulamentadas pelo Ministério dos Transportes, o custo para tirar a CNH caiu drasticamente. Em Salvador, autoescolas que antes cobravam até R$ 1,8 mil passaram a anunciar planos a partir de R$ 236, numa tentativa de se adaptar ao novo cenário e evitar o fechamento das portas.
O que mudou nas regras da CNH
A principal mudança foi o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para que o candidato possa realizar o exame prático. A decisão segue modelos internacionais adotados em países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, onde o foco está na avaliação da capacidade de dirigir, e não na quantidade de aulas realizadas.
Com o novo modelo:
O curso teórico passou a ser gratuito e digital, disponibilizado pelo Ministério dos Transportes;
As aulas práticas obrigatórias foram reduzidas de 20 para apenas duas horas;
O candidato pode optar por se preparar em autoescolas, com instrutores autônomos credenciados ou por conta própria;
O processo pode ser iniciado pelo aplicativo CNH do Brasil ou pela Carteira Digital de Trânsito (CDT).
Apesar da flexibilização, é importante destacar: as provas teórica e prática continuam obrigatórias e sob responsabilidade do Detran.
Quanto custa tirar a CNH hoje na Bahia

A redução de custos acontece em duas frentes: taxas públicas e serviços privados.
Taxas obrigatórias do Detran-BA
Com a atualização dos valores:
Registro Nacional de Carteira de Habilitação (RENACH): R$ 180 (antes R$ 275,93);
Prova teórica: R$ 90;
Exame prático: R$ 90 (com direito a duas tentativas);
Emissão da CNH: R$ 50.
O total das taxas para as categorias A e B juntas gira em torno de R$ 500.
Valores praticados pelas autoescolas em Salvador
Com a retirada da obrigatoriedade, os Centros de Formação de Condutores (CFCs) passaram a montar pacotes flexíveis:
Planos básicos: a partir de R$ 236 (moto) e R$ 324 (carro);
Pacotes intermediários: entre R$ 480 e R$ 820;
Planos mais completos: podem ultrapassar R$ 3.000, a depender do número de aulas e serviços incluídos.
Segundo o Sindicato das Autoescolas da Bahia (Sindauto-BA), os valores variam porque cada empresa tem autonomia para definir seus pacotes, respeitando um valor mínimo sugestivo, hoje estimado em R$ 400 para moto e R$ 600 para carro — uma redução de até 78% em relação aos parâmetros antigos.
O que as autoescolas não podem cobrar
Mesmo com a liberdade para definir pacotes, há cobranças expressamente proibidas:
Emissão de laudos médicos e psicológicos;
Licença de Aprendizagem de Direção Veicular (LADV);
Taxas administrativas que são de responsabilidade do Estado.
Esses valores devem ser pagos diretamente ao Detran-BA ou às clínicas credenciadas, garantindo mais transparência ao processo.
Impactos sociais e econômicos da mudança

A redução do custo da CNH tem impacto direto na mobilidade urbana, empregabilidade e inclusão social. Para milhares de baianos, especialmente jovens e trabalhadores informais, o alto valor da habilitação era uma barreira de acesso ao mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, o novo modelo força uma reorganização do setor de autoescolas, que passam a competir por qualidade, personalização e confiança, e não mais por um serviço obrigatório.
Segundo representantes do setor, a queda nos preços foi essencial para evitar o fechamento em massa das empresas, mantendo empregos e serviços, ao mesmo tempo em que amplia o acesso da população ao direito de dirigir.
CNH digital e modernização do serviço público
A modernização do processo de habilitação ganhou escala nacional com o lançamento do aplicativo CNH do Brasil, desenvolvido pelo Ministério dos Transportes. Em apenas um mês de funcionamento, a plataforma já registrou mais de 2,5 milhões de pedidos de CNH em todo o país, demonstrando a alta adesão da população ao novo modelo.
Segundo balanço divulgado pelo Ministério nesta terça-feira (13):
926.541 brasileiros já concluíram o curso de formação de condutores — antigo curso teórico — que agora é gratuito, digital e realizado diretamente no aplicativo;
O novo formato elimina barreiras financeiras e burocráticas, ampliando o acesso à habilitação, especialmente entre jovens e trabalhadores de baixa renda.
Com o fim da exigência de autoescolas aprovado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o governo também registrou avanço na certificação de instrutores independentes. Em apenas um mês, mais de 54 mil profissionais já foram habilitados para atuar legalmente como instrutores de trânsito, ampliando a oferta de formação prática e estimulando a concorrência no setor.
A Bahia se destaca nesse cenário e figura entre os estados com maior número de solicitações pelo aplicativo, reforçando a importância da digitalização dos serviços públicos como instrumento de inclusão, eficiência e inovação.
As novas regras da CNH representam um marco na política de mobilidade e cidadania no Brasil. Em Salvador e em toda a Bahia, tirar a habilitação deixou de ser um privilégio restrito a quem podia pagar valores elevados e passou a ser uma possibilidade real para milhares de pessoas.



